Chance de paz para a Síria?

Após duas tentativas (a última há dois anos), Genebra volta a reunir as principais forças envolvidas no trágico conflito sírio que já dura cinco anos, sob os olhos atentos do mundo que espera pelo menos uma trégua que permita – como disse Angela Merkel – que refugiados retornem a suas casas e que cesse o êxodo que hoje oprime a Europa. As conversações tem uma previsão de durarem por seis meses, obviamente se as partes não se retirarem no seu decurso.

A perspectiva preliminar é de que haja um acordo que permita formar um governo de transição para que eleições aconteçam dentro de dezoito meses. Por ora, Staffan Mistura, falando pela ONU, almeja um cessar-fogo e abertura do campo de batalha para concessão de ajuda humanitária. Além das partes diretamente em luta, as reuniões de agora incluem apoiadores regionais dos dois lados, ou seja, russos, sauditas e iranianos.

Menina ergue os braços pensando que a câmera (fotógrafa não identificada) era uma arma apontada contra ela,na Síria
Menina ergue os braços pensando que a câmera (fotógrafa não identificada) era uma arma apontada contra ela,na Síria

Pesos-pesados estão presentes. Lidera a delegação do governo sírio o ministro de Relações Exteriores Walid al-Muallem que, desde logo, informa que não aceita a remoção de Bashar al-Assad do poder e reafirma o objetivo de eliminar os grupos “terroristas”, como denomina seus opositores. Já estes, conforme o decidido previamente em Riad, exige que para começo de uma conversa seria Assad deve sair da presidência. A delegação é encabeçada pelo ex-general e desertor sírio Asaad al-Zoubi e por Mohammad Allous que representa o poderoso movimento rebelde Jaish al-Islam, tido como terrorista tanto pelo regime que governa a Síria quanto pela Rússia de Putin.

Reivindicações imediatas da oposição contemplam o envio de ajuda humanitária para cidades como Madaya onde a população está molrrendo de fome, a libertação de mulheres e crianças detidas pelo governo como instrumento de pressão e o fim dos ataques aéreos e terrestres com bombas suportados pelas forças enviadas por Moscou. Uma delegação denominada de oposição constituída por representantes do grupo apoiado pela Rússia não é bem-visto por Riad, pois não se posiciona pela remoção a curto prazo de Bashar al-Assad. Já o importante grupo formado pelos Pershmergas curdos, o único que no cenário de guerra tem conseguido enfrentar com relativo sucesso o inimigo de todos – o Estado Islâmico – não foi convidado atendendo a pedidos do governo turco que os combate em seu país.

 

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