Crise na Petrobrás: repercussões internacionais – Democracia brasileira desafiada pela Operação Lava Jato (Boletim nº 18, em 1º/8/2015)

Com o título “An oil scandal is shaking Brazil’s democracy to its core” (Um escândalo petrolífero está sacudindo a democracia brasileira em seu centro), Dom Philips escreve no The Washington Post (23/7/2015): “o que começou em 2014 como uma investigação policial denominada de Operação Lava Jato transformou-se em um horrendo e denso drama no qual alguns dos principais políticos e empresas do país viram suas lideranças serem desafiadas sob os holofotes. Um crescente número de acusações e contra-acusaçõespassaram a rondar a Petrobrás e alguns de seus principais executivos – envolvendo refinarias, contratos de fornecimento de insumos, partidos políticos, agentes intermediários até então na sombra, empresas construtoras e carteis, isso sem mencionar os bilhões de dólares circulando em pagamentos por fora e corrupção. À medida em que o escândalo cresce na hierarquia política, mais complexo se torna e mais explosivas são as reações que causa.”

Refere a denúncia de que Eduardo Cunha, presidente da Câmara de Deputados, recebeu $ 5 milhões em propina (fato desmentido pelo acusado), e logo se transferiu para a oposição, enquanto seu partido – PMDB – optou por manter-se na coalisão que sustenta o mandato de Dilma Rousseff. Ele chamou uma rede de televisão para explicar suas razões ao povo, mas a fala foi recebida com panelaços em algumas cidades do país.

Ao mesmo tempo, segue o texto do periódico norte-americano, uma investigação em separado atingiu o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com base em sua influência a favor da Odebrecht em contratos na África e nas Américas. Cita reportagem do jornal O Estado de São Paulo que a partir de fontes usadas pelo site WikiLeaks disse haver indicações de irregularidades durante o mandato de Lula em contratos da Odebrecht na Venezuela, Panamá, Angola e Equador.

Depois de comentar os baixíssimos níveis de aprovação do governo de Rousseff, o novo envolvimento em corrupção do ex-presidente Collor de Melo, as dificuldades em impor o ajuste fiscal que restringe o comportamento da economia nacional e o enfraquecimento do Executivo e do Legislativo face à dura atuação do Judiciário (com o juiz Sérgio Moro cada vez mais ativo), a reportagem diz que “Where it goes, nobody knows” (para onde vai, ninguém sabe), mas que tudo isso significa, de alguma maneira, um avanço para o país. “Brazil’s democracy is wobbling, but the tremor will make it stronger” (a democracia brasileira está oscilando, mas o tremor vai fazê-la mais forte).

Presidente Dilma Rousseff se diz "not guilty" (Filippe Monteforte/AFP/Getty Images)

Em outra reportagem, o jornal cita as palavras da presidente Dilma de que não é culpada, mas afirma que mesmo seus aliados temem que ela não consiga sobreviver.

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