Mulá Omar tem morte confirmada após 2 anos

No final de 2001, quando a ofensiva aérea norte-americana derrubou o governo talibã no Afeganistão, o chefe máximo do regime, Mulá Mohammed Omar, desapareceu. Foi visto pela última vez protagonizando uma espetacular fuga sobre uma motocicleta quatro anos depois em Candahar. Desde então nunca mais apareceu. Homem recluso e de poucas palavras, tímido nos eventuais contatos com estrangeiros, o Mulá transformou-se num fantasma, uma sombra, sem perder sua liderança e influência inconteste sobre a militância e o staff talibã. Hoje dominando cerca de metade do território afegão, o Talibã – cuja essência está ainda na etnia Pashtun – se vê ameaçado por dissenções internas e pelo fortalecimento do Estado Islâmico (EI) a partir do Iraque e da Síria.

Mulá Omar numa rara e obscura foto
Mulá Omar numa rara e obscura foto

De acordo com as informações transmitidas por Abdul Hassib Sediqi, porta voz do Conselho Nacional de Segurança do Afeganistão, “Mulá Omar faleceu num hospital do Paquistão em abril de 2013, vítima de tuberculose, e foi enterrado em algum lugar do território afegão próximo à fronteira paquistanesa”.

Com o título de Amir al-Mu’minin ou Comandante dos Fieis Omar chefiou o Emirado Islâmico do Afeganistão de 1996 a 2001 e deu guarida a Osama bin Laden – de quem se tornou amigo e parceiro – e à rede al-Qaeda. Quase nada se sabe sobre ele, a não ser que nasceu em 1960 em Chan-i-Himmat na província de Kandahar ao sul de Cabul, no clã Tamzi da tribo Hotak. Perdeu um dos olhos em combate contra as forças de ocupação soviética por volta de 1981. Teria sido visitado pelo profeta Maomé que o incumbiu de criar o que seria o regime talibã destinado a acabar com a anarquia, o crime e a imoralidade.

 

Akhtar Mansoor é o novo Mulá

Confirmando a morte de Omar – o Mulá de todos os Mulás – e tentando desmentir a sua fama de insubstituível, o Talibã anunciou hoje que Akhtar Mansoor, um líder histórico do movimento e ex-governador de Kandahar durante o período em que comandaram o Afeganistão, acaba de ser escolhido como o novo Mulá. A morte de Mohammed Omar se soma à perda de outro comandante de primeira linha do Talibá, Malik Ishak, executado junto com vários companheiros e dois filhos em Punjab. Malik, um sunita radical, é responsabilizado pelo assassinato de centenas de xiitas paquistaneses e seu desaparecimento constitui uma séria defecção para o Talibã justamente às vésperas da segunda rodada de negociações de paz com o governo afegão do presidente (desde 2014) Ashraf Ghani que começa nesta 6ª. feira, 31 de julho. (VGP)

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