Grécia resiste e diz “Não”

Colocado contra a parede pelo grande capitalismo europeu o povo grego manteve a dignidade e apoiou seu recém eleito 1º Ministro Alexei Tsypras na dura queda de braço que seu governo vem mantendo com a Europa do Euro. O “Não” às medidas draconianas colocadas sobre a mesa como única alternativa de salvação para a economia grega triunfou no referendum deste domingo com 61,3% dos votos contra 38,7% do “Sim”. De imediato Andonis Samará, líder da oposição conservadora, demitiu-se do comando do partido A Nova Democracia.

Em corajoso texto o Prêmio Nobel de Economia Paul Krugman enfrentou a onda de pensamento dominante. Vale a pena lê-lo: “Tsypras e o Syrisa obtiveram uma clara vitória no Referendum, reforçando-se para o que quer que venha depois. Mas não são os únicos ganhadores. Diria que o conceito “Europa” conseguiu uma grande vitória, esquivando-se de uma bala. Sei que a maioria não o vê da mesma forma. Mas, pensemos assim: acabamos de ver a Grécia levantar-se contra um cerco e uma campanha de intimidação, um intento de meter medo aos gregos não só para que aceitassem as exigências dos credores mas também para que se desfizessem de seu governo. Foi um momento vergonhoso na história moderna da Europa que, se tivesse prosperado, teria estabelecido um feio precedente. Mas não o fez. Não precisas amar o Syriza ou crer que sabem o que fazem. Se a Grécia tiovesse sido forçada pelo medo das consequências financeiras, a Europa teria pecado de tal maneira que mancharia sua reputação durante gerações. Dentro de algum tempo possivelmente recordaremos a isto como uma aberração. E se a Grécia termina saindo do Euro? Neste momento há, efetivamente, boas razões para o Grexit (termo que significa Saída da Grécia) mas, em todo caso, a democracia importa mais do que qualquer acordo monetário.”

Povo grego comemora a vitória do Não no referendo na Praça Syntagma em Atenas (foto de Mario Djurica/Reuters)
Povo grego comemora a vitória do Não no referendo na Praça Syntagma em Atenas (foto de Mario Djurica/Reuters)

A Alemanha de Angela Merkel dizia que um Não grego equivaleria a um Não à Europa. Para o vice-chanceler alemão, Sigman Gabriel, Tsypras rompeu as últimas pontes com a Europa, unindo-se às vozes de muitos dos seus patrícios de que é melhor deixar a Grécia ir embora e ficar com os dezoito países que restarão. Este, certamente é o momento mais crítico do mandato de Merkel que já dura dez anos. Qualquer que seja sua decisão não será fácil, pois terá de dar ouvidos aos franceses que estão mais dispostos a chegar a um acordo e aos americanos que a lembrarão da importância em assegurar a estabilidade da zona do euro, num cenário onde já se sabe que as perdas associadas à saída da Grécia seriam multimilionárias.

No fundo há o temor de que se os grandes derem ouvidos a Tsypras estarão ao mesmo tempo estimulando a outros atores, como os que compõem o novo partido espanhol Podemos, que já vem experimentando um crescimento explosivo. As negociações prosseguem e nessa 3a. feira os integrantes da zona do Euro fazem uma reunião emergencial em Bruxelas, inclusive para ouvir o que Mario Draghi, o todo poderoso presidente do Banco Central Europeu, pensa. Enquanto isso o orgulhoso povo grego segue reunido e comemorando na praça central de Syntagma em Atenas.

Be the first to comment

Deixe seu Comentário

Seu e-mail não será publicado.


*