Crise na Petrobrás: repercussões internacionais – Mudanças na política brasileira (Boletim nº 13 – 27/4/2015)

Brazil’s Power Dynamics Shifting Amid Political Scandals

The New York Times (27/4/2015): A dinâmica do poder mudando no Brasil em meio a escândalos políticos

Em texto publicado nesta 2a. feira o New York Times expõe a lista de acusações de corrupção que pesa sobre os presidentes do Senado e da Câmara dos Deputados – Renan Calheiros e Eduardo Cunha – comentando que em algumas democracias personagens em tal situação seriam banidos da vida públilca mesmo se nunca forem condenados. Mas não no Brasil, onde o homem que comandou o escândalo que se abate sobre o Congresso está aumentando o seu poder em relação à presidente Dilma Rousseff.

Segue-se uma síntese com alguns dos principais tópicos do texto.

Congresso Nacional, em Brasília
Congresso Nacional, em Brasília

Um brasilianista, o professor David Fleisher da Universidade de Brasília, enrevistado, disse que essa é a House of Cards” brasileira, numa referência ao seriado da TV americana. “Eles estão colocando em prática uma estratégia que visa deixar Dilma Rousseff para simplesmente deixá-la balançando ao vento”. E a estratégia parece estar funcionando. Embora o Sr. Cunha e o Sr. Calheiros estejam no rol de dúzias de políticos sob investigação, tudo indica que suas imagens no escândalo estejam saindo de foco devido à revolta contra a senhora Rousseff, cujo nível de aprovação popular está em míseros 13%.  No entanto, a aprovação do Congresso também caiu e é de 11% segundo o Instituto Datafolha.

Rousseff, que venceu uma renhida reeleição em outubro está enfrentando amplos protestos pedindo o seu impeachment, com muitos brasileiros irritados com uma economia apática e com as revelações de um imenso escândalo de corrupção na principal empresa de petróleo do país, a Petrobrás. Ela foi a diretora da gogante do setor que é controlada pelo governo entre 2003 e 2010, exato o período em que o esquema começou.

Executivos da Petrobrás estão envolvidos por terem aceito grandes quantias de suborn, enriquecendo além de canalizar recursos para o caixa do esquerdista Partido dos Trabalhadores ao qual pertence Rousseff, de acordo com testemunhos de executivos precedents.

Nenhum testemunho até aqui emergiu indicando que Rousseff pessoalmente beneficiou-se do esquema.Mas, ao mesmo tempo, ela se colocou na defensiva ao insistir que o suborno não favoreceu sua reeleição. O escândalo moveu-se mais para perto da presidente depois que o tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, foi preso. The scandal moved closer to the president after thearrest of the treasurer of her party, João Vaccari Neto.

Como ela e seu partido estão enrolados no escândalo, terminaram enfrentando uma rebelião do PMDB, o partido que ancora sua coalisão de governo e comanda as duas Casas do Congresso. A cada rodada, Calheiros e Cunha agem para erodir o poder de Rousseff, bloqueando medidas propostas pelo Ministro da Fazenda, frustrando indicações para o ministério e propondo medidas conservadoras ou enfraquecendo leis contra o controle do uso de armas e repelindo propostas que permitiriam a menores serem julgados como adultos.

Cristovam Buarque, um respeitado senador da esquerda que votou contra Rousseff nas recentes eleições afirmou que a crescente ofensiva sobre a presidente por parte da troika  formada pelos líderes do CVongresso e pelo vice-presidente Michel Temer assemelha-se a um golpe.

A crescente resistência do Congresse representa um ponto de viragem para a instituição que tem sido largamente despresada no Brasil por sua propensão a super remunerar a si própria enquanto as demais partes da sociedade enfrentam as medidas de austeridade, além da capacidade que tem demonstrado para blindar seus membros que enfrentam acusações legais.

Cerca de 40% dos legisladores federais mais votados em 2014 estão sob investigação em uma sucessão de crimes, incluindo desflorestamento ilegal, malversação de fundos e tortura, o que se constitui em forte ameaça de perderem seus mandatos.

Ao mesmo tempo em que Rousseff luta por sua sobrevivência política, o Sr. Cunha – um comentarista radiofônico evangélico e economista – está aumentando sua influência em nível nacional, comandando uma agenda socialmente conservadora e sugerindo que o PMDB, que durante anos aquiesceu com os objetivos do Partido dos Trabalhadores, está forjando suas próprias ambições políticas.

“A maioria da sociedade pensa como nós pensamos” declarou em uma reunião com evangélicos em março no Rio de Janeiro. “Cunha é sádico, duro e tem carisma”, declarou Cláudio Lembo, ex-governador de São Paulo ao Valor Econômico, “Se Dilma me pedisse algum dia um conselho, eu lhe diria: Volte a ler Machiavel. Quando você não pode derrotar seu inimigo, fique perto dele.”

A reprodução

RIO DE JANEIRO — The head of Brazil’s Senate, Renan Calheiros, has been accused of tax evasion, using a government jet to visit a surgeon whoalleviated his baldness with hair implants and allowing a construction company’s lobbyist to pay child support for his daughter from anextramarital affair with a television journalist.

Eduardo Cunha, the conservative speaker of Brazil’s lower house of Congress, has also faced — and successfully battled — a list of corruption accusations, from embezzlement to living in an apartment paid for by a black-market money dealer. …

“This is ‘House of Cards,’ Brazilian style, with the chiefs in Congress seizing a moment when the president is very weak,” said David Fleischer, a professor emeritus of political science at the University of Brasília. “They are putting into motion a strategy of simply letting Dilma dangle in the wind,” he added. …

As Ms. Rousseff battles for her political survival, Mr. Cunha, an evangelical Christian radio commentator and economist, is raising his national profile in appearances around Brazil, championing a socially conservative agenda and suggesting that the PMDB, which acquiesced for years to some of the Workers Party’s objectives, is forging its own distinct political ambitions. …

“The majority of society thinks as we think,” Mr. Cunha told a gathering of evangelical Christians in Rio de Janeiro in March, contending that protests against him by gay rights activists were the work of a “minority.” …

“Cunha is sadistic, tough, smart, and he has charisma,” Claudio Lembo, a former governor of São Paulo, told the newspaper Valor Econômico. “If Dilma sought me out one day for advice, I’d tell her, ‘Go read Machiavelli. When you can’t beat your enemy, get close to him.”

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