Crise da Petrobrás leva outro tesoureiro do PT à cadeia

Tesoureiro do Partido dos Trabalhadores João Vaccari Neto ao ser detido na Operação Lava Jato

Nesta 4a. feira, 15 de abril de 2015, em São Paulo, a Polícia Federal deteve o Tesoureiro do Partido dos Trabalhadores (cargo atualmente denominado como de Coordenação Financeira), João Vaccari Neto, na 12a. etapa da Operação Lava Jato, sob acusações de ter operado propinas no esquema da Petrobrás, canalizando-as como “doações” ao PT. Segundo o Ministério Público, tratam-se de doações feitas por empresas que já estão sob investigação ao caixa do Partido durante a recente campanha eleitoral à presidência da República de 2014.

A mulher de Vaccari, Giselda Rousie de Lima e sua cunhada, Marice Correia de Lima – esta foragida – também tiveram mandados de prisão expedidos pela PF. Onze horas depois a direção do PT anunciou o afastamento de Vaccari da coordenação financeira.

Ao todo mais de 70 mandados de prisão preventiva ou temporária foram expedidos ao longo de pouco mais de um ano da Operação Lava Jato (vide a nominata completa, de acordo ao que foi divulgado pela PF, na aba “Crise na Petrobrás” neste site). Em 13/3/2014 o doleiro Alberto Youssef deu início à série de prisões, sendo logo seguido por ex-diretores da Petrobrás como Paulo Roberto Costa, Renato Duque, Nestor Cerveró, por 27 executivos de empresas e pelos ex-deputados André Vargas do PT, Luiz Ângelo do SDD e Pedro Corrêa do PP. Em março o ministro Teori Zavascki acatou pedido de abertura de inquérito encaminhado pelo Procurador Geral da República Rodrigo Janot contra 50 acusados, incluindo o presidente do Senado Federal Renan Calheiros, o presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha, o líder do PT no Legislativo deputado Humberto Costa, o ex-candidato do partido no Rio de Janeiro Lindbergh Farias.

O paulista Vaccari sucedeu no cargo ao goiano Delúbio Soares, condenado por corrupção no processo do Mensalão. A tesouraria do PT tem sido, ao longo dos últimos doze anos, sistematicamente beneficiada por “descontos voluntários” provenientes dos salários de milhares de militantes nomeados para postos nas administrações federal e de estados e municípios governados pelo partido, uma prática conhecida como de “aparelhamento do Estado brasileiro”. Mesmo sendo no total um volume bastante representativo de recursos, logo tornou-se insuficiente diante da necessidade de custeio de caras campanhas eleitorais destinadas a manter o partido no poder. As atuais investigações em torno da Petrobrás, Eletrobrás e outras megainstituições ligadas ao governo federal (mas com inter-relações nos demais níveis) são tentativas de descerrar o véu que encobre  os esquemas de conexão financeira não legal entre empresas públicas & privadas e seus múltiplos beneficiários.

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