Eleições britânicas abrem leque de opções

Em 7 de maio será escolhido o 56º parlamento do Reino Unido, repetindo um processo que desde 1801 reúne os povos da Inglaterra, Escócia, País de Gales e Irlanda, desta feita para escolher os oocupantes das 650 cadeiras da Câmara dos Comuns. O partido que obtiver o apoio de 326 representantes governará, mas já se sabe que será impossível o predomínio de um só. Um governo de coalizão será inevitável, o que não deixa de ser uma novidade num reino habituado a um invejável bipartidarismo. A disputa, segundo as mais recentes enquetes de opinião, está extremamente renhida, com algo entre 30% e 35% de apoio para conservadores e trabalhistas que seguem sendo as forças majoritárias.

Acumulando críticas e desgastado pelas restrições econômicas, os tories (conservadores) de David Cameron poderão ser derrotados pelos trabalhistas de Ed Miliband. Ao contrário do que dita a tradição, desta feita surgem três outros partidos com peso suficiente para influenciar decisivamente tanto nas decisões quanto na administração em si. Os Democratas Liberais de Nick Clegg (hoje aliados aos tories) perderam substância e podem perder a terceira posição para a extrema direita do Ukip com suas políticas anti-imigração ou para a esquerda do Partido Verde que vem crescendo também num reflexo do fortalecimento de sigllas como a do Syriza na Grécia e do Podemos na Espanha. Além disso, após o último referendo que por escassa margem impediu a separação dos escoceses, aumentou a importância do Partido Nacional da Escócia (SNP).

Um tema central na campanha é o Sistema Nacional de Saúde que sofreu forte descaracterização nas mãos da administração Cameron. O 1º Ministro, numa última tentativa de recuperar o prestigio perdido, surpreendeu a todos – inclusive seus correligionários que ficaram desolados com o que consideraram ser uma manifestação de fraqueza que prejudicará o partido – ao declarar que caso vença esse será seu segundo e último mandato (ele está no poder desde dezembro de 2005). Ou seja, não quer repetir a trajetória de Margareth Thatcher e Tony Blair que permaneceram três períodos no comando em Downing Street. “Mandatos são como shredded wheat: dois são ótimos, mas três é demais”, disse referindo-se às caixas de sucrilhos encontradas em qualquer supermercado e que costumeiramente fazem parte do desjejum dos britânicos.  Surge, assim, uma luz no fim do túnel para o setor saúde que vem lutando desesperadamente para conter o desmanche e a privatização crescente impostas por Cameron.

Sucrilhos de trigo, tradicionais nos EUA e no Reino UNido
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