Petróleo abaixo de 50 dólares põe em risco o Pré-Sal

Vencidas as festas de fim de ano as esperanças de retomada dos preços do petróleo no mercado internacional se esvaneceram com rapidez e nesta primeira 2ª. feira de 2015 o barril do petróleo Texas (WTI), referência nos Estados Unidos, caiu mais 5% fechando o pregão a US$ 50,04. Ao longo do dia moveu-se ainda mais para baixo, rompendo a barreira psicológica dos 50 dólares que se mantinha desde o final de abril de 2009 (foi de US$ 107.26 por barril em 20/6/14). O mesmo aconteceu com o Brent no mercado de Londres que fechou a US$ 53.11 devido à queda de quase seis pontos percentuais. Analistas setoriais atribuem as novas perdas de valor ao aumento da produção por parte da Rússia e do Iraque num mercado já caracterizado pela superoferta e pelo fortalecimento do dólar.

O atual movimento de baixa começou em setembro do ano passado, consolidando-se quando os países membros da OPEP, dois meses depois decidiram manter sua produção elevada, na base de 30 milhões de barris diários, apesar do pedido de redução por parte da Venezuela.

Estima-se que em 2015 a oferta mundial continuará sendo abundante, face à entrada em operação, prevista antes da atual crise, de muitos poços nos Estados Unidos (a partir do xisto), Canadá, África Ocidental e América Latina, segundo prevê Christopher Dembik do Saxon Banque em declarações à AFP. Ele acrescenta que a superprodução dos poços russos e iraquianos (bateram recordes nos dois países em dezembro) deverá compensar com sobras os problemas da Líbia, onde um de seus principais terminais petrolíferos, em Al Sedra, foi incendiado pelo grupo terrorista Fajr Lybia no mês passado. Com isso a produção nacional que era de 1 milhão de barris diários, em meio ao caos político reduziu-se a 300 mil. O resultado, em consequência, é que os preços sigam baixando, provavelmente até 40 dólares, patamar inferior recentemente delimitado pela OPEP. Alguns grandes bancos (Deutsche Bank, Citi) publicaram projeções indicando que a cotação média será pouco superior aos 50 dólares nos próximos dois anos, num cenário em que as matérias primas cotadas em dólar devem ficar mais caras face à valorização da moeda norte-americana.

Enquanto isso, os títulos Preferenciais da Petrobrás caíram hoje em 8,01%, sendo na Bolsa oferecidos a menos de R$ 9,00 (na verdade R$ 8,27). Os Papéis Ordinários também sofreram desvalorização, chegando a R$ 8,27. Confirmando afirmações de José Formigli, diretor de Exploração e Produção da estatal ao O Globo, de que a rentabilidade da produção dos poços do Pré-Sal depende de uma cotação entre US$ 40 e US$ 45 por barril, a Petrobrás emitiu Nota dizendo que o Pré-Sal continua economicamente viável considerando um valor limite de US$ 45 por barril, embora se saiba que ao serem acrescidos os custos de infraestrutura esta soma supera os 50 dólares. As denúncias de prática ativa de corrupção ligadas à Operação Lava-Jato prenunciam maiores dificuldades para a obtenção de financiamentos no mercado externo, além de reduzir a base popular de apoio ao governo dentro do Brasil.

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