Afeganistão de volta aos afegãos?

Para dar fim a quase oitenta anos de ocupação inglesa, o Afeganistão tornou-se independente em 1919. Seguindo-se a outras oito décadas de golpes e contragolpes, regimes imperiais e simulacros de democracia, em 27 de dezembro de 1979 o Exército Vermelho ocupou a rádio Cabul e a União Soviética instalou-se no Afeganistão, ai permanecendo por dez anos, período no qual nasceu a resistência islâmica e a Al-Qaeda. Após a guerra civil afegã e a tomada do poder pelo movimento Taleban que governou de 1996 a 2001, em represália à destruição das torres gêmeas a mando de Bin Laden, menos de um mês depois do 11 de setembro o presidente George Bush ordenou a invasão do país dando início à sua Guerra ao Terror, que até hoje teve um custo total em torno de 345 bilhões de dólares. A OTAN assumiu o controle das forças estrangeiras em 2003, mantendo em solo afegão um contingente de 51 mil soldados provenientes de 41 países (no auge, lá estiveram 60 mil mariners norte-americanos).

Considerando que a ocupação ocidental resultou na estruturação de uma nova resistência nacionalista e islâmica e na multiplicação dos campos de papoula para produção de ópio e heroína,  um acordo com o sempre instável governo de Hamid Karzai conduziu à retirada definitiva das forças da OTAN neste mês de dezembro de 2014.

Um dia após o encerramento oficial da missão da OTAN o movimento Taleban proclamou aos quatro ventos sua vitória sobre o invasor, ao mesmo tempo em que assegurou a continuidade de seus ataques até a completa expulsão das forças remanescentes. Permanecem no país tropas com 13.000 homens, 9.800 dos quais são americanos. O objetivo do grupo é retomar o governo, impondo a Sharia – a lei muçulmana – em seu formato mais radical. Quase um século após obter sua autonomia. o povo afegão ainda está longe de ser livre.

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