Ébola segue fora de controle

Soldado liberiano ataca mulher, em Monróvia, que tenta fugir do bloqueio imposto pelos Serviço de Saúde para conter a difusão do ébola (www.dailymail.com.uk)

Neste dia de Natal, os cristãos que vivem no norte de Serra Leoa na África Ocidental excepcionalmente foram liberados para reunir-se e comemorar, ao contrário dos muçulmanos e de todos os demais que estão submetidos a um confinamento de cinco dias ordenado pelo governo leonês com o objetivo de controlar o surto de ébola que continua assolando o país. Missas, cultos e reuniões ou eventos em igrejas e mesquitas estão proibidas. Mercados, lojas e o comércio em geral, assim como as repartições públicas fecharam. Os únicos veículos autorizados a trafegar são aqueles que conduzem pessoal de saúde em trabalho relacionado ao ébola. Bloqueios e quarentenas têm sido impostos a outras comunidades africanas na tentativa de impedir maiores níveis de contaminação e tratar os enfermos.

O ministro das Comunicações, Theo Nicol, informou que o bloqueio se destina a permitir um retrato mais acurado sobre o alcance da doença. As demais regiões foram estimuladas a, por ora, adotar as medidas de forma voluntária, considerando que o país, ao lado da Libéria e da Guiné está entre os mais afetados pela pandemia que, estima-se, já matou mais de 7.500 pessoas na África Ocidental. Os números oficiais da Organização Mundial da Saúde (OMS) ainda se limitam a 9936 casos com 4877 óbitos, o que revela espantosa letalidade de 49%.

Não há cura para o vírus que se transmite pessoa a pessoa através de contato com fluídos corporais em lesões da pele, membranas, mucosas, sangue, secreções, órgãos e também por meio de superfícies e materiais contaminados por esses fluídos.

A atual onda surgiu há mais de um ano na Guiné e nove meses atrás manifestou-se nos outros dois países da região. A LIbéria é o país que apresenta os melhores resultados, com forte redução no número de perdas pelo ébola, devido a um maior e melhor acesso às unidades de saúde encarregadas do diagnóstico e tratamento, realização de sepultamentos mais seguros e maior envolvimento da população. Não obstante, a OMS diz que ainda surgem 10 mil casos novos por semana.

No mundo, hoje os serviços de saúde lidam com doenças provocadas por vírus altamente letais (mas não nas proporções relativas do ébola), como a Aids que desde 1981 causou 36 milhões de vítimas, mas agora cede graças ao uso intenso de terapias antiretrovirais e a Síndrome Respiratória do Oriente Médio (MERS na sigla em inglês, de Middle East Respiratory Syndrome) irrompida em 2012 e até aqui com 291 óbitos provocados. Enquanto a poliomielite é remanescente apenas em três países (Nigéria, Afeganistão e Paquistão), a varíola foi eliminada em 1977 (após um surto que, três anos antes, matou 15 mil pessoas na Índia). A SARS (Doença Respiratória Aguda) saiu de cena após causar 774 vítimas em 2003, a maioria na China e a Gripe Suína resultou em 285 mil vidas humanas perdidas até 2009. Antes disso, aconteceram a Gripe Asiática em 1968/1969 (2 milhões de mortes) e a Gripe Espanhola que ao atacar em plena 1a. Guerra afetou 1/4 da humanidade e causou entre 50 e 70 milhões de óbitos.

Os cuidados extremos em relação ao ébola levaram o CDC – Centro de Controle e Prevenção de Doenças – dos Estados Unidos a adotar medidas estritas de monitoramento de um técnico (nome não revelado) que, trabalhando em um laboratório de máxima segurança epidemiológica em Atlanta/Geórgia, pode ter tido contato com uma pequena amostra do vírus vivo com a qual estava trabalhando em uma bancada. O material encontrava-se em uma redoma selada, mas teria sido movimentada dentro do laboratório, o que não é permitido.

“Estamos trabalhando para quebrar a cadeia de transmissão”, disse Alie Kamara, secretário de saúde para a região Norte de Serra Leoa. É uma guerra. Até o momento o vírus ainda é o vitorioso.

 

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