Nicarágua: reações ao canal

Por nossa saúde e do planeta. Não ao Canal. Marcha em Manágua 12/2014.

O canal interoceânico previsto para inauguração em 2019 cruzando o território nicaraguense do Caribe ao Pacífico está longe de ser um consenso na sociedade daquele que é o segundo país mais pobre das Américas.

Para as comunidades que se sentem diretamente prejudicadas e para o povo, enfrentar os sandinistas que exercem um controle absoluto sobre a máquina de governo e sobre a polícia é algo até aqui considerado como uma missão de alto risco e que dificilmente terá algum sucesso. O casal Ortega reina acima do bem e do mal. A esposa de Daniel chefia a área de Comunicações e tem toda a mídia à sua disposição. Ainda assim, no último dia 10 de dezembro uma multidão de 5 mil pessoas conseguiu realizar em Manágua uma surpreendente marcha de protesto, a maior já vista nos últimos anos. No povoado de Obrajuelo, às margens do Lago Nicarágua, cinquenta mulheres atacaram com paus e pedras o carro que trouxe técnicos chineses para fazer estudos topográficos, quebrando os vidros e os colocando a correr.

O megaprojeto, com seu início previsto para hoje, 22 de dezembro, está estimado em 50 bilhões de dólares. Segundo a Lei aprovada no Congresso no ano passado, a empresa HKND de Hong Kong recebeu uma concessão para construir e operar o canal por 50 anos, renovável por igual período, mas tem ainda autorização para aeroportos, estradas e vias ferreas ainda que o canal não seja concluído. Deve pagar ao governo de Daniel Ortega um total de 10 milhões de dólares ao ano, a partir da entrada em operação do canal de 278 km.

Uma parte da população tem posição favorável pelas promessas de negócios e empregos, mas sobram ameaças ao meio ambiente, às comunidades de povoados como Rio Grande cujas plantações de sorgo, feijão, trigo e banana terão de ser desapropriadas  num raio de 10 km e principalmente, ao lago Nicarágua que é a principal fonte de água potável em um país árido por natureza. O grupo chinês que negociou a concessão com a administração bolivariana de Daniel Ortega ainda não obteve os recursos necessários para o financiamento da obra. Confia no capital internacional e fortemente no governo chinês que sonha em consolidar seu domínio sobre a rota de transporte marítimo que hoje flui pelo Canal do Panamá.

Be the first to comment

Deixe seu Comentário

Seu e-mail não será publicado.


*