Brasil de hoje: 91 envolvidos em corrupção, recorde em impostos e o prejuízo

A fila dos corruptos cada vez aumenta mais

O Brasil é pobre, mas bate recordes em arrecadação de impostos e o novo ministro ainda quer mais. O prejuízo estimado na Operação Lava Jato é de  quase 24 bilhões de reais, superando o Mensalão que chegou “apenas” a R$ 170 milhões (em valores atualizados para 2014). Somando os já condenados e os agora envolvidos com corrupção, já são noventa e um (91) os até aqui “ilustres” brasileiros do mais alto escalão da República envolvidos com corrupção. Praticamente todos, de alguma maneira, fazem parte ou estão conectados ao governo federal que tem o dever de administrar o país desde 2002.

As notícias não são boas para o Brasil, mas não podem ser ignoradas. A seguir, um resumo sobre o padrão nacional como campeão na arrecadação de tributos – cujos resultados pouco chegam ao povo -, sobre o volume de dinheiro desviado na Lava Jato e no Mensalão, bem como a nominata dos 91 brasileiro denunciados pela Justiça e até ontem considerados (pelo governo federal e pelo partido dominante), como cidadãos exemplares e modelos para a sociedade que estamos construindo.

RECORDE EM PAGAMENTO DE IMPOSTOS EM 2013, MAS O NOVO MINISTRO QUER MAIS

 Preocupado com suas dificuldades de caixa, provenientes do caos recebido da gestão Mantega, encarregado da Pasta durante o 1º mandato de Dilma Rousseff, o novo ministro da Fazenda, Joaquim Levi (originário dos quadros funcionais do Bradesco, o maior banco privado do país), acena com o que diz ser necessário: novos aumentos de impostos.

A ideia, lançada no mesmo momento em que a própria Receita Federal informa que em 2013 a carga de impostos bateu novos recordes de arrecadação, é agressiva e irracional.

“Brasileiro paga 35,95% do PIB em impostos em 2013, a maior taxa em dez anos”, informa em manchete o Estadão neste 19/12/2014.

A notícia informa que a carga tributária brasileira chegou a quase 36% do PIB no ano passado, um pouco mais elevada que a do ano anterior. Trata-se do maior patamar na proporção do PIB na série histórica. Em 2013 o PIB foi de R$ 4,8 trilhões, e a arrecadação tributária bruta somou a espantosa cifra de R$ 1,74 trilhão.

A divisão tributária reforça dramaticamente o desequilíbrio entre os poderes. No ano em referência, insaciável a União respondeu por 68,9% da arrecadação, deixando como um trocado, 25,3% para as 27 Unidades Federadas e 5,8% para os 5.561 municípios.

23,7 BILHÕES DE IMPOSTOS DESVIADOS SOMENTE NA LAVA JATO

As pessoas físicas e jurídicas investigadas na Operação Lava Jato movimentaram, de forma atípica, R$ 23,7 bilhões entre 2011 e 2014. De acordo com o jornal O Globo, o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) produziu 108 relatórios com alertas sobre possíveis irregularidades nas movimentações financeiras do doleiro Alberto Youssef, do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa e de empreiteiras.

26 POLÍTICOS VIVOS DO PT, PMDB, PP e 2 FALECIDOS DO PSDB E DO PSB DENUNCIADOS COMO CORRUPTOS PELA OPERAÇÃO LAVA JATO

Em 18/12/2014, a JUSTIÇA FEDERAL aceitou denúncia da Procuradoria da República na Operação Lava-Jato transformando em réus os seguintes políticos (por Partido):

PT

Gleisi Hoffmann – senadora (PT-PR) e ex-ministra da Casa Civil

Teria recebido R$ 1 milhão para a campanha ao Senado.

Humberto Costa – senador (PT-PE), líder do PT na Casa, ex-Ministro da Saúde

Teria recebido R$ 1 milhão para a sua campanha em 2010.

Antonio Palocci – ex-ministro dos governos Lula e Dilma

Lindbergh Farias – Senador (PT-RJ)

Tião Viana – governador reeleito do Acre

Delcídio Amaral – senador (PT-MS)

Cândido Vaccarezza – deputado federal (PT-SP)

Vander Loubet – deputado federal (PT-MS)

PMDB

Renan Calheiros – presidente do Senado (PMDB-AL)

Edison Lobão – Ministro de Minas e Energia (PMDB-MA)

Henrique Alves – presidente da Câmara dos Deputados (PMDB-RN)

Sérgio Cabral – ex-governador do Rio de Janeiro

Roseana Sarney – ex-governadora do Maranhão

Valdir Raupp – senador (PMDB-RO) e vice-presidente do partido

Romero Jucá –  senador (PMDB-RR)

Alexandre José dos Santos – deputado federal (PMDB-RJ)

PSB

Eduardo Campos – ex-governador de Pernambuco

Teria intermediado o pagamento de R$ 20 milhões para o caixa 2 da campanha eleitoral à reeleição em Pernambuco.

PSDB

Sérgio Guerra – ex-presidente nacional do PSDB

Teria cobrado R$ 10 milhões para que a CPI da Petrobras no Senado fosse encerrada.

PP

Ciro Nogueira – senador (PP-PI)

João Pizzolatti – deputado federal (PP-SC)

Nelson Meurer – deputado federal (PP-PR)

Simão Sessim – deputado federal (PP-RJ)

José Otávio Germano – deputado federal (PP-RS)

Benedito de Lira – deputado federal (PP-AL)

Mário Negromonte – ex-ministro das Cidades

Luiz Fernando Faria – deputado federal (PP-MG)

Pedro Corrêa – deputado federal (PP-PE)

Aline Lemos de Oliveira – deputada federal (PP-SP)

 

OS 39 RÉUS ENVOLVIDOS NO ESQUEMA DE CORRUPÇÃO E CAIXA 2 QUE SE INSTALOU NA PETROBRÁS ENTRE 2004 e 2012:

Alberto Youssef, doleiro

Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás

Nestor Cerveró, ex-diretor Internacional da Petrobrás

Fernando Soares, o Fernando Baiano, lobista do PMDB

Waldomiro de Oliveira, operador de Youssef

Julio Camargo, executivo da Toyo Setal

Mateus Coutinho de Sá Oliveira, diretor financeiro da OAS Petróleo

José Ricardo Nogueira Breghirolli, executivo da OAS

José Aldemário Pinheiro Filho, vulgo “Léo Pinheiro”, presidente da OAS

Fernando Augusto Stremel Andrade, funcionário da OAS

Agenor Franklin M. Medeiros, diretor-presidente da área internacional da OAS

João Alberto Lazzari, representante da OAS

Sérgio Cunha Mendes, vice-presidente da Mendes Júnior

Rogério Cunha de Oliveira, diretor da área de Óleo e Gás da Mendes Júnior

Ricardo Ribeiro Pessôa, presidente da UTC Engenharia

Mário Lúcio de Oliveira, atuava na empresa GFD, ligada a Youssef

João Procópio Junqueira Pacheco de Almeida Prado, operador de Youssef

Enivaldo Quadrado, operador de Youssef

Antonio Carlos Fioravante Brasil Pieruccini, advogado ligado a Youssef

Carlos Aberto Pereira da Costa, advogado de empresa de fachada de Youssef

Ângelo Alves Mendes, diretor vice-presidente da Mendes Júnior

Alberto Elísio Vilaça Gomes, representante da Mendes Júnior

Sandra Raphael Guimarães, funcionária da UTC Engenharia

José Humberto Cruvinel Resende, gerente da Mendes Júnior

João de Teive e Argollo, funcionário da UTC Engenharia

Jean Alberto Luscher Castro, diretor presidente da Galvão Engenharia

Eduardo de Queiroz Galvão, diretor presidente da Galvão Engenharia – Dario de Queiroz Galvão Filho, presidente da Galvão Engenharia

Erton Medeiros Fonseca, diretor presidente na Galvão Engenharia

Newton Prado Junior, diretor técnico da Engevix Engenharia

Luiz Roberto Pereira, ex-diretor da Engevix Engenharia

Gerson de Mello Almada, vice-presidente da Engevix Engenharia

Carlos Eduardo Strauch Albero, diretor técnico da Engevix Engenharia

Dalton dos Santos Avancini, executivo da Camargo Corrêa

João Ricardo Auler, presidente do Conselho de Administração da Camargo Corrêa

Eduardo Hermelino Leite, “Leitoso”, vice -presidente da Camargo Corrêa

Adarico Negromonte Filho, irmão do ex-Ministro das Cidades

Marcio Andrade Bonilho, presidente do Grupo Sanko

Jayme Alves de Oliveira Filho, agente da Polícia Federal

 

Como ficaram as penas dos condenados no Mensalão

Condenado a quase 40 anos de prisão, Marcos Valério recebeu a maior pena. Dos 37 réus julgados pelo Supremo, 20 estão presos, quatro cumprem penas alternativas e 13 foram absolvidos 03/2014 14:31

MENSALÃO TERMINA COM 20 PRESOS E 13 ABSOLVIÇÕES

Núcleo político

Delúbio Soares, ex-tesoureiro do PT – Condenado a seis anos oito meses de prisão, em regime semiaberto, pelo crime de corrupção ativa. Também foi absolvido, na análise de seu recurso, do crime de formação de quadrilha. Por meio de arrecadação na internet, pagou a multa de R$ 466.888,90. Contratado pela Central Única dos Trabalhadores (CUT), dormia à noite na prisão. Está com o benefício do trabalho externo suspenso até que a Vara de Execuções Penais examine as denúncias de que tem recebido tratamento privilegiado. Desde o início das investigações, está no Complexo Penitenciário da Papuda.

José Dirceu, ex-ministro da Casa Civil – O ex- ministro da Casa Civil foi condenado a sete anos e 11 meses de prisão, em regime semiaberto, pelo crime de corrupção ativa. Apontado pela Procuradoria-Geral da República como líder da organização criminosa, foi absolvido do crime de formação de quadrilha pelo Supremo na análise de recurso. Além da prisão, também foi condenado a pagar multa de R$ 971.128,92. Aguarda análise de seu pedido para trabalhar na biblioteca do escritório do advogado José Gerardo Grossi. Enquanto isso, cumpre pena na Papuda.

José Genoino, ex-presidente do PT e ex- deputado federa – O ex-presidente nacional do PT e ex-deputado foi condenado a quatro anos e oito meses de prisão, em regime semiaberto, pelo crime de corrupção ativa. No julgamento de seu recurso, foi absolvido do crime de formação de quadrilha. Por meio de arrecadação na internet, pagou a multa de R$ 667,5 mil imposta pela Justiça. Cumpre pena, no momento, em regime domiciliar por causa de problemas de saúde.

Núcleo publicitário

Cristiano Paz, ex-sócio de Marcos Valério – Condenado a 23 anos, oito meses e 20 dias de prisão em regime fechado e a pagar multa de R$ 2.655.222,04. Para o Supremo, ele cometeu os crimes de corrupção ativa, peculato e lavagem de dinheiro. Também foi absolvido do crime de formação de quadrilha durante análise de recurso. Apesar de ter obtido autorização para ser transferido para Minas Gerais, desistiu do pedido e segue na Papuda, em Brasília.

Marcos Valério, empresário sócio da DNA Propaganda e SMP&B

Considerado o operador do esquema, recebeu a maior punição entre todos os réus do mensalão. Foi condenado a 37 anos, cinco meses e seis dias de prisão em regime fechado. Também terá de pagar multa de R$ 4.446.384,39. No julgamento de recurso, foi absolvido do crime de formação de quadrilha.

Ramon Hollerbach, ex-sócio de Marcos Valério – Condenado a 27 anos, quatro meses e 20 dias de prisão, em regime fechado, e multa de R$ 3.966.446,88. Para os ministros, ele cometeu os crimes de corrupção ativa, peculato, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. No julgamento do recurso, escapou da condenação por formação de quadrilha.

Rogério Tolentino, advogado – Foi condenado a seis anos e dois meses de prisão, em regime semiaberto, e a pagar multa no valor de R$ 404 mil pelos crimes de corrupção ativa e lavagem de dinheiro.

Simone Vasconcelos, ex-funcionária de Valério – Foi condenada a 12 anos, sete meses e 20 dias de prisão, em regime fechado, e a pagar multa de R$ 787.754, em valores corrigidos, pelo crimes de corrupção ativa, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Cumpre pena em Minas Gerais.

Núcleo financeiro

Kátia Rabello, ex-presidente do Banco Rural – A ex-presidente do Banco Rural foi condenada a 14 anos e cinco meses, em regime fechado, e a pagar multa de R$ 3,6 milhões. Para o Supremo, cometeu os crimes de lavagem de dinheiro, gestão fraudulenta e evasão de divisas. Também escapou da condenação por formação de quadrilha na análise de recurso. Cumpre pena em Minas Gerais.

José Roberto Salgado, ex-executivo do Banco Rural – Ex-executivo do Banco Rural, foi condenado a 14 anos e cinco meses em regime fechado, com multa no valor corrigido de R$ 926.400. Foi considerado culpado pelos crimes de lavagem de dinheiro, gestão fraudulenta e evasão de divisas. Também escapou da condenação por formação de quadrilha na análise de recurso. Cumpre pena em Minas Gerais.

Vinícius Samarane, ex-vice-presidente do Banco Rural – Condenado oito anos, nove meses e dez dias de prisão, em regime fechado, pelos crimes de gestão fraudulenta e lavagem de dinheiro. Terá de pagar multa de R$ 552 mil. Cumpre pena em Minas Gerais.
Políticos da base aliada

Bispo Rodrigues, ex-deputado (PL, atual PR-RJ) – O ex- deputado foi condenado a seis anos e três meses de prisão, em regime semiaberto, e a pagar multa de R$ 1.057.072,56. Para o Supremo, cometeu os crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Cumpre pena no Centro de Progressão Penitenciária de Brasília.

João Paulo Cunha, ex-presidente da Câmara dos Deputados – O ex- presidente da Câmara foi condenado a seis anos e quatro meses de prisão, em regime semiaberto, pelos crimes de corrupção passiva e peculato. Na análise de recurso, foi absolvido do crime de lavagem de dinheiro. Por meio de arrecadação na internet, pagou a multa de R$ 373,5 mil imposta pela Justiça. Cumpre pena na Papuda.

José Borba, ex-deputado (ex-PMDB-PR, agora no PP) – O ex-líder do PMDB na Câmara foi condenado a dois anos e seis meses de prisão pelo crime de corrupção passiva e a pagar multa de R$ 360 mil. Cumpre pena alternativa.

Pedro Corrêa, ex-deputado (PP-PE) – O ex-presidente e ex-líder do PP na Câmara foi condenado sete anos e dois meses de prisão, em regime semiaberto, e a pagar multa de R$ 1,08 milhão, pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Foi transferido para Pernambuco, onde trabalha como médico durante o dia e dorme na prisão.

Pedro Henry, ex-deputado (PP-MT) – O ex-líder do PP na Câmara foi condenado a sete anos e dois meses de prisão, em regime semiaberto, e a pagar multa de R$ 932 mil. Foi considerado culpado pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Foi transferido para Cuiabá, onde trabalha como médico legisla durante o dia e dorme na cadeia.

Roberto Jefferson, ex-deputado (PTB-RJ) – Delator do esquema, o ex-presidente nacional do PTB foi o último dos réus condenados à prisão a ir para a cadeia. Foi condenado a sete anos e 14 dias de prisão, em regime semiaberto, além de pagar multa de R$ 689 mil. Foi considerado culpado pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Está presa em Niterói (RJ).

Romeu Queiroz, ex-deputado (PTB-MG) – Condenado a seis anos e seis meses de prisão, em regime semiaberto, pelo crime de corrupção passiva, e a pagar multa de R$ 729 mil (valor ainda não corrigido monetariamente). Cumpre pena em Minas Gerais. Trabalha durante o dia no escritório de sua própria empresa, e volta para a cadeia à noite.

Valdemar Costa Neto (PR-SP), deputado federal – O ex-presidente do PL e do PR foi condenado a sete anos e dez meses de prisão, em regime semiaberto, pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Também foi condenado a pagar multa de R$1.668.784,81. Cumpre pena em Brasília, no Centro de Progressão Penitenciária. Trabalha durante o dia numa empresa de alimentação em escala industrial para a construção civil e dorme na prisão à noite.

Réus ligados a partidos políticos e doleiros

Breno Fischberg, doleiro – Condenado a três anos e seis meses de prisão, em regime aberto, e a pagar multa de R$ 28,6 mil.

Enivaldo Quadrado, doleiro – O doleiro foi condenado a três anos e seis meses de prisão em regime aberto, pelo crime de lavagem de dinheiro. Terá de pagar multa de R$ 26.400.

Emerson Palmieri, ex-tesoureiro do PTB – O ex- tesoureiro do PTB foi condenado a quatro anos de prisão e a pagar multa de R$ 240 mil pelo crime de lavagem de dinheiro. Já o crime de corrupção passiva prescreveu.

Henrique Pizzolato, ex-diretor de marketing do Banco do Brasil – Único dos condenados a fugir da prisão, Pizzolato foi condenado a 12 anos e sete meses de prisão, em regime fechado, e ao pagamento de multa de R$ 1,2 milhão, pelos crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e peculato. Depois de fugir do país, foi preso na Itália utilizando passaporte de um irmão já falecido. O governo brasileiro tenta extraditá-lo. O ex-diretor do Banco do Brasil diz que quer ser julgado novamente na Itália.

Jacinto Lamas, ex-tesoureiro do PL (atual PR) – Condenado a cinco anos de prisão por lavagem de dinheiro.

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