Crise na Petrobrás: repercussões internacionais – Impactos em um labirinto (Boletim nº 1)

Petrobrás

Com a intenção de fornecer aos leitores aspectos relevantes que cercam a crise da Petrobrás, sintetizamos a seguir matérias recentemente publicadas pela imprensa internacional.

Neste Boletim nº 1, de 19/11/2014, constam textos do New York Times, do site Oil & Gas, e do jornal espanhol El País em sua edição em português que abriu um espaço especificamente dedicado ao tema.

The NYT

Troubles at Petrobras Raise Broader Questions for Investors

Executives at the Brazilian oil giant Petrobras were arrested as part of a broad corruption inquiry. (by Landon Thomas Jr. 14/11/2014)

When the world’s most indebted company postpones an earnings release due to a widening corruption scandal, a wobble in the markets is to be expected.

Such was the case on Friday for the Brazilian oil giant Petrobras, which saw its stock fall 8 percent (before recovering slightly) and the yields on its bonds spike sharply upward on the news that company executives in Brazil had been arrested as part of a broad corruption investigation.

President Dilma Rousseff, who was the head of the Petrobras board before she became president in 2010, is not the only person, however, who will be feeling the pain of the company’s mounting troubles.

Few emerging market companies are as widely held by equity and bond investors as Petrobras, long seen as a benchmark play for investors looking for exposure to fast-growing developing markets.

In fact, more than just about any other emerging market company, Petrobras has taken advantage of the trend in which asset management companies — mostly based in the United States — have replaced banks as the main source of debt financing.

Economists estimate that foreign bondholders have financed close to half of the the company’s huge investment program. Petrobras, in the last five years, has sold $51 billion in bonds to yield-starved global investors, nearly a quarter of all corporate bonds emanating from Brazil and the most of any emerging-market company, according to data compiled by Thomson Reuters..

The fear is that panic selling in one company or country could spread quickly — since these countries and companies are so widely held — leading to a wider investment contagion. “This definitely raises larger issues,” said Gary N. Kleiman, an emerging-market investment consultant. “Many investors will be forced to sell and this could lead broader sell-off in Brazil and Latin America.”

 

Oil & Gas – Brazil

How will Petrobras crisis impact Brazil’s oil sector?

By Michael Place – Monday, November 10, 2014

An overbearing government and alleged corruption within the ranks of state-run oil firm Petrobras threaten to undermine Brazil’s efforts to become Latin America’s oil heavyweight, according to the latest BNamericas Intelligence Series.

The report, titled Outlook: 2015 Signals Broad Shift, says last month’s reelection of President Dilma Rousseff has cast fresh doubt on the country’s ability to double oil production to 4.2Mb/d by 2020.

“A new Dilma Rousseff regime would indicate another four years of high taxes, strict local content rules, stifling bureaucracy, and corruption and mismanagement within Petrobras,” the report said.

“Rousseff has vowed to continue the country’s pre-salt expansion, targeting accumulated investments of US$102bn by 2018. But the incumbent leader has shown no desire to alter the current pre-salt model, which limits the participation of private companies in production sharing-agreements with Petrobras,” it added.

Foreign players are, however, likely to remain enthusiastic about new opportunities for exploration blocks in South America’s largest country, the report said.

Brazil’s 13th oil and gas licensing round is due to get under way in the first half of next year and there are hopes the next pre-salt auction will be held in 2016.

 

El País – PETROBRAS

Em meio a denúncias, Dilma busca saídas do labirinto de seu Governo

Caso Petrobras fragiliza a presidenta, pressionada a fazer a reforma ministerial e negociar com o Congresso, ao mesmo tempo em que a oposição aproveita para estender o clima de campanha

Os protestos contra o PT

Manifestações pedem o impeachment da presidenta Dilma

Movimento contra o Governo Dilma cresce e fica mais radical

Cerca de 10.000 se reuniram em São Paulo para pedir impeachment de presidenta, que enfrenta grave crise

Foco nos corruptores da Petrobras fustiga empresas no Brasil

Polícia Federal prende executivos envolvidos no caso Petrobras

Investigação leva Petrobras a divulgar resultados fora do prazo

Estatal informou que as empresas de auditoria que contratou precisam de mais tempo para aprofundar análises sobre denúncias

Petrobras: o maior escândalo da história na mira dos Estados Unidos

Promotor: ‘Não há no país uma cidade, um estado, sem obra superfaturada’

Para o promotor de Justiça de São Paulo Marcelo Batlouni Mendroni, especialista em investigar crimes financeiros e cartéis, somente uma ampla reforma na legislação diminuirá a ocorrência de casos de corrupção que, na avaliação dele, é endêmica.

“Não há uma prefeitura, um Estado no Brasil, sem contratos superfaturados de obras, de prestação de serviços”, disse o promotor, doutor pela Universidad Complutense de Madrid, na Espanha, com pós doutorado na Università di Bologna, na Itália. Em entrevista ao EL PAÍS, na sede do Gedec, órgão do Ministério Público paulista criado em 2008 para investigar delitos de ordem econômica, Mendroni comparou as empresas envolvidas em escândalos dessa natureza à máfia italiana.

Brasil do céu ao inferno

JUAN ARIAS 18 NOV 2014 (Coluna de Opinião – El País) (Resumo)

Até pouco tempo atrás o Brasil parecia tocar o céu com as mãos. Nunca Deus tinha sido tão brasileiro. Quase 80% da população se declarava feliz com sua vida e outros tantos acreditavam que o futuro seria ainda melhor. O atávico complexo de vira-latas havia evaporado para dar lugar ao orgulho de ser brasileiro. Até as aeromoças diziam isso ao aterrissar nos aeroportos. O mundo olhava com inveja para o gigante sul-americano que chegou a ser a sexta maior potência econômica do mundo e que crescia sem parar. Dizia-se que o chamado “Brasil do futuro” tinha sido substituído pelo “Brasil do presente”. Os investidores estrangeiros correram para cá. Havia mercado abundante e crédito fácil. E milhões de brasileiros chegados ao posto de classe média com fome de consumo.

Todo aquele despertar de esperança parece ter se dissipado de repente. O céu se cobriu de nuvens e o Brasil se viu às portas do inferno, com todos os indicadores econômicos, éticos e sociais em baixa. O pessimismo parece ter tomado o lugar da euforia. Mas será verdade que o Brasil tenha despencado do céu para o inferno? Estaria nascendo agora um Brasil “sem futuro”? Ou será que talvez o Brasil ontem não tenha realmente chegado ao céu, como profetizavam seus maquiadores, nem hoje se encontra no inferno mas sim em um purgatório de purificação para se desfazer das chagas da corrupção que parecem atormentar o mundo político e empresarial? Talvez as duas coisas estejam corretas e a partir de agora poderá ressurgir o Brasil real, com suas verdades e mentiras.

A tormenta que está agitando o Brasil neste momento e que ecoa na imprensa internacional começou com a Copa, há apenas alguns meses. Foi ali que a sociedade brasileira começou a suspeitar que a corrupção estava engolindo o país com aqueles estádios milionários, superfaturados, acabados às pressas e na última hora, enquanto faltava dinheiro para infraestruturas, mobilidade urbana, escolas e hospitais. A presidenta Dilma começou a ser vaiada nos estádios, e tudo acabou com o vexame daquele 7 x 1 tristemente simbólico que os alemães cravaram em nossas almas. Parece que faz um século, mas foi ontem.

Teve Copa e, no fim, até os protestos se calaram, porque os brasileiros sempre acabam apostando na festa. Mas naquele Mundial de Futebol já se incubava o ovo de serpente da corrupção. A partir de então, a imagem do Brasil começou a ficar manchada lá fora e irritada aqui dentro. Assim vieram as eleições e a violência que tinha ficado incubada na Copa apareceu com maior força. O que deveria ter sido uma corrida democrática a mais acabou em um campo de batalha com vítimas por toda a parte e feridas difíceis de curar.

E o Brasil real? E a sociedade brasileira? E esses milhões de trabalhadores que cada dia acodem a seus honrados empregos e fazem com que o país não pare? Esses trabalhadores, esses funcionários de empresas públicas e privadas que vivem apenas de seus salários, do porteiro ao diretor, sem sujar suas mãos com dinheiro roubado – o Brasil real, ainda limpo, que acredita que deve se ter responsabilidade e honra na vida – são os que tornam possível o país ainda não estar no inferno.

A sociedade brasileira, em seu conjunto, é robusta, está sabendo reagir, rejeita a corrupção e quer passar o Brasil a limpo. Não querem para seus filhos o Brasil do poder corrupto. São milhões de jovens que não renunciaram a seus sonhos de criar sua própria empresa, de melhorar de vida, de estudar mais, de ganhar a luta da vida sem precisar vender sua alma.

O Brasil ainda não é a Venezuela, nem mesmo a Argentina. As instituições são fortes e estão funcionando até o ponto de ter visto presidentes e diretores das maiores empresas do país detidos e dormindo em colchonetes nos corredores das delegacias. A presidenta Rousseff afirmou que não deixará pedra sobre pedra, que seu Governo continuará investigando “quem quer que seja”. A oposição exige que ela peça perdão ao país pelos excessos cometidos durante seu primeiro mandato, sobre tudo na Petrobras. Ela responde que se a corrupção está aflorando é porque seu Governo permite a ação das instituições. A sociedade, em cujas mãos o país se sustenta, está à espera.

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