Hawking e o universo sem Deus

Cosmologia. Teoria do Big Bang

Não há como ignorar o que pensa e diz Stephen Hawking, considerado um dos mais brilhantes cientistas no campo da Física desde Einstein. Depois de  ocupar a cátedra de Isaac Newton como Lucasian Professor na Universidade de Cambridsge, hoje é o chefe de pesquisas do Departamento de Matemática Aplicada e Teoria da Física, além de permanecer no Centro de Cosmologia Teórica que criou. Nascido em Londres em 1942, aos 21 anos contraiu esclerose lateral amiotrófica, uma doença motora neurológica que provoca uma paralisia muscular progressiva, sendo-lhe então prevista uma sobrevida de no máximo três anos. Desafiando o diagnóstico dos médicos, já chegou aos 72 anos e segue trabalhando embora seja capaz de movimentar apenas os olhos e, quase imperceptivelmente, as bochechas. A cosmologia tem nele um dos seus mais profundos conhecedores. Agora, ao participar como convidado de honra do encontro de Astrofísica Starmus na ilha de Tenerife, Hawking assumiu, em entrevista ao jornal espanhol El Mundo (conforme reportagem da revista Semana), definitivamente o pensamento de que Deus não existe.

Os homens tradicionalmente atribuem-se uma origem divina. A teoria do Big Bang e da grande explosão que deu começo ao universo está cientificamente comprovada de tal forma que já é possível compreender com exatidão o que se passou milésimos de segundos depois, ou seja, como se formaram as galáxias, os planetas. Contudo, resta uma resposta definitiva acerca do que aconteceu antes, o que provocou o Big Bang e qual foi e é sua razão de ser.

Stephen Hawking em seu livro mais conhecido – Breve história do tempo – publicado em 1988, e em várias outras obras, escreveu que o homem só conheceria “a mente de Deus” quando lograsse entender a teoria de todas as coisas de modo a unificar de maneira coerente as forças que regem o universo. O mais célebre astrofísico do mundo considerava a si próprio como um agnóstico pelo fato de não poder demonstrar cientificamente a existência de um ser superior. O conceito do divino superava seus conhecimentos.

Agora, Hawking disse que “no passado, antes de que entendessemos de fato a ciência, era lógico pensar que Deus criou o universo. Mas agora a ciência oferece uma explicação mais convincente. O universo surgiu do nada, de forma expontânea, como consequência inevitável das leis da física. Em poucas palavras, Deus não é necessário para explicar a origem de tudo. O que eu quis dizer ao assegurar que conheceríamos a mente de Deus era que compreenderíamos tudo o que Deus seria capaz de entender se acaso existisse. Mas, não há nenhum Deus. Sou ateu. A religião crê em milagres, mas eles não são compatíveis com a ciência”.

Em seguida acrescentou: “creio que conseguiremos entender a origem do universo. De fato, agora mesmo estamos perto de lograr este objetivo”, referindo-se à recente descoberta de ondas gravitacionais geradas durante a criação do cosmos que ratifica a ideia de que depois do Big Bang o universo se expandiu a uma velocidade maior que a da luz e nesse processo poderiam ter sido criados outros universos, como se fosse uma onda de água fervente na qual aparecem e se chocam milhares de borbulhas. É a teoria conhecida como dos multiversos e procura explicar o que sucedeu antes da grande explosão. Hawking, ele mesmo tido como um milagre, declara-se otimista: “não há nenhum aspecto da realidade fora do alcance da mente humana”. Não obstante, ainda lhe falta dar a explicação final.

Mundo Século XXI oferece, em sua seção de vídeos, uma fala de Stephen Hawking legendada em português na qual ele discorre sobre algumas questões fundamentais: Como o universo começou? Como a vida começou? Estamos sozinhos?

Não deixe de assistir esta instigante discussão e participe, dando sua opinião. O espaço aqui é livre para que, sempre respeitando o modo de pensar dos outros, cada um expresse de maneira aberta os próprios pontos de vista.

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