Atenção à saúde em tempos de guerra

Família síria atravessa a fronteira rumo a um dos 22 campos de refugiados de Kilis, na Turquia (132865437_31n.jpg)

A distância entre Aleppo na Síria e Kilis na Turquia, cruzando os limites entre os dois países, é de apenas 56 km. É por ai que chegam os militantes, recrutados na Europa Ocidental, para o ISIL – Islamic State of the Irak and the Levant – que praticamente ocupou Aleppo onde continua praticando as mais bárbaras chacinas. As unidades locais de saúde foram arrasadas, assim como metade da rede de hospitais, clínicas e laboratórios em toda a Síria.  Um morador do bairro de Deir Hafffa relatou à rede Al Jazeera que não existem serviços públicos, apenas algumas clínicas privadas, “mas são açougueiros e cobram caríssimo. Na Turquia é tudo de graça, só preciso pagar o transporte”. A fronteira continua aberta e 1,5 milhão de sírios já migraram para território turco em busca de abrigo.

Os serviços de saúde na Turquia não são cobrados, à exceção de medicamentos pelos quais é preciso responsabilizar-se por uma fração do preço e o governo investiu recentemente cerca de US$ 100 milhões para proporcionar serviços de saúde para sírios, esperando dobrar a oferta de leitos hospitalares e aumentar em 50% o número de médicos até o fim do ano. Ainda assim a rede pública de Kilis está à beira do colapso. O hospital estatal, projetado para prestar cuidados a 100 mil pessoas (a população total do município), já atendeu a 350 mil sírios e atualmente recebe cerca de 3 mil pacientes por dia. Tanto na sua sede como nas clínicas satélites mantidas nos campos de refugiados emprega médicos sírios, que também fugiram do seu país, e trabalhadores voluntários que cooperam com entidades como os Médicos sem Fronteiras e, cada vez mais, organizações não governamentais e de profissionais que atuam informalmente.

Numa padaria há pouco bombardeada e saqueada surgiu quase que do nada a Policlínica Síria 1. “Começamos a atender porque a população refugiada não para de crescer e a rede pública não consegue dar conta da demanda”, disse o Dr. Mohammed Assad, no papel de diretor da improvisada unidade que realiza uma medicina básica, recebe 500 clientes ao dia  e quando possível encaminha casos graves ao hospital ortopédico financiado pelo governo da Arábia Saudita para fornecer próteses às legiões de amputados da guerra, à clínica de atenção pós-operatória Malteser do governo de Malta, ou ainda à rede de atenção especializada estatal e da Cruz Vermelha turca. Em geral, diz o diretor, os pacientes não tem para onde ir, perderam suas casas e é muito perigoso tentar voltar. “Deixamos, então, que fiquem mais tempo por aqui.” Dos que procuram socorro, a maioria é de vítimas dos ataques e dos foguetes, mas como não há triagem para saber quem é quem, os atiradores e suas famílias são igualmente atendidos.

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