Tensão crescente entre Ucrânia e Rússia (atualizado até 24/8/14)

Território dominado pelo Estado Islâmico do Iraque e do Levante (ISIL)

O agravamento da situação no leste da Ucrânia representa uma nova e perigosa escalada com a possibilidade cada vez mais real de uma invasão de tropas russas supostamente para dar sustentação aos rebeldes que nas cidades de Donetsk e Luhansk lutam para agregá-las a Moscou. Por um lado, as forças ucranianas se preparam para uma ofensiva denominada de estágio final da operação que objetiva recuperar o domínio sobre Donetsk, após terem conseguido isolá-la militarmente de Luhansk. A estratégia é de cortar por inteiro os contatos entre as duas cidades rebeldes, tomar uma e depois partir em direção à outra. Por outro lado, estima-se que pelo menos 45 mil soldados russos estejam junto à fronteira, prontos para obedecer a ordem de Putin para entrar na Ucrânia. Moscou repetiu a oferta de ajuda humanitária unilateral, mas Kiev negou-se a aceitá-la dizendo que na verdade seria uma autorização para a entrada em massa de agentes armados que apenas reforçariam as já numerosas forças separatistas (vide mapa do Le Monde com a localização das tropas e ouça o vídeo que resume a história atual do conflito). “Ajuda humanitária neste momento é sinônimo de invasão”, disse o porta-voz do governo ucraniano. O conflito já causou 1.300 mortes e o deslocamento de suas casas de 285 mil pessoas. Colocando ainda mais pressão no caso, um extenso comboio composto por 280 caminhões – em geral veículos militares repintados de branco e escoltados por soldados – foi enviado pela Rússia sem qualquer consulta a organizações internacionais ou a outros países e estacionou a 40 km de Izvarino, um ponto de cruzamento da fronteira com a Ucrânia que é controlado pelos separatistas pró-Moscou. A posição do governo de Kiev, temeroso de que se trate de um moderno Cavalo de Tróia, é de que a “ajuda humanitária” à região de Donesk e Luhansk como é catalogada por Moscou, deveria ser descarregada no solo para ser inspecionada e então recarregada em caminhões da Cruz Vermelha Internacional. As autoridades russas acenaram com uma aceitação de inspetores ucranianos, mas não com o descarregamento do conteúdo dos caminhões sob o argumento de que isso seria inviável e economicamente prejudicial. Na madrugada da 5a. feira 14 de agosto/2014, de acordo com observadores in loco da OCDE, 227 caminhões da frota russa cruzou a fronteira. Afinal, diante da falta de acordo sobre seu real destino e da intensa pressão internacional, a frota retornou às suas origens, na Rússia, não sem antes conseguir descarregar 1.800 toneladas de “suprimentos” na área dominada pelos rebeldes. A situação cada vez mais foge a qualquer controle. De domingo para 2a. feira (10-11/8/2014) um comboio com refugiados proveniente das cidades de Khryaschuvate e Novosvitlivka (próximo a Luhansk a cerca de 15 km da fronteira) que tentava deixar a zona de conflito, foi bombardeado e destruído com morteiros e foguetes Grad, deixando dúzias de mortos, incluindo mulheres e crianças. “Os rebeldes estavam esperando pelo comboio – formado por caminhões ostentando bandeiras brancas –  e o destruíram completamente”, informou um porta-voz do exército ucraniano. De imediato Andrei Purgin, que se diz primeiro ministro da auto-declarada República Popular de Donetsk, disse que os rebeldes não têm capacidade para lançar foguetes Grad onde o ataque se perpetrou, uma área que segundo ele  tem sido alvo de bombardeios por parte do governo ucraniano nos últimos dias.

Fila de caminhões russos com ajuda humanitária destinada a Luhansk na Ucrânia
Fila de caminhões russos com ajuda humanitária destinada a Luhansk na Ucrânia (imagem The Guardian)

A União Europeia (e os EUA) ativou uma série de sansões contra o regime de Putin. São de ordem econômica com restrição de acesso a mercados ocidentais; militar com o embargo a exportações e importações de armamentos; tecnológica, e energética, de transportes e telecomunicações; bloqueio a investimentos de empresas privadas e governamentais na Criméia; impedimento da passagem de gás através da Ucrânia; lista negra de negociantes e personalidades russas impedindo-lhes a movimentação fora do seu país. No entanto, as medidas econômicas podem ser enfraquecidas por países que tentam se aproveitar da guerra e se sentem muito satisfeitos com o repentino acesso ao mercado russo. Este é o caso, por exemplo, do México e do Brasil, cujos exportadores já comunicaram que estão prontos para multiplicar o envio dos produtos aos quais Moscou tenha dificuldade de acesso. Assim, Brasília e a Cidade do México embora evitem – como de costume – assumir posições políticas em relação ao conflito, na prática dão sustentação à Rússia. Também segue sem esclarecimento o “incidente” em que foguetes disparados pela frente separatista – possivelmente do interior do território russo junto à fronteira -, abateram o avião comercial da Malaysian Airlines matando 286 passageiros e tripulantes naquele que é considerado como a mais grave quebra da estabilidade entre as nações desde o final da 2a. Guerra Mundial.

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