O general, as Farc e a Venezuela

Flamingos nas areias de Aruba
Flamingos nas areias de Aruba
General venezuelano Hugo Carvajal (imagem da revista Semana)
General venezuelano Hugo Carvajal (imagem da revista Semana)

Aruba com suas praias paradisíacas e seus bandos de flamingos multicores, esta semana tornou-se o centro de um quiproquó internacional envolvendo os governos dos Estados Unidos e da Venezuela, logo após ter detido no aeroporto de Oranjestad ao general Hugo Carvajal, tido pelo Miami Herald como a “jóia da coroa” em termos das ligações entre o governo de Caracas, a rede de narcotráfico e a guerrilha das Forças Armadas da Colombia, as Farc. Na lista negra do Departamento de Estado por ser réu em pelo menos sete processos judiciais, Carvajal primeiro apresentou uma identidade falsa, que logo substituiu pelo passaporte diplomático na condição de cônsul de seu país junto à ilha caribenha, recém nomeado  mas ainda não formalmente aceito nem credenciado o que lhe dava a condição de um simples visitante, um turista como tantos outros. Em princípio deveria ter sido transferido para Washington ou Miami no mesmo dia, mas de imediato uma missão do governo de Nicolás Maduro, deslocada desde o fronteiriço estado de Falcón, chegou para impedir a deportação.

Preso junto com Hugo Chávez na tentativa de Golpe de Estado em 1992, dois anos depois foi nomeado pelo já então presidente como diretor da Inteligência Militar nacional e desde então teve seu nome envolvido em casos cada vez mais escabrosos.  Para citar apenas alguns dos mais notórios, temos o massacre de estudantes em Maracao (2005), gravações ilegais de conversas telefônicas de políticos e militares, atentados contra o consulado colombiano e contra um templo israelita em Caracas, entrega de armas  – como o sofisticado lança-foguetes AT-4 de uso exclusivamente militar – e de identificações oficiais venezuelanas às Farc, proteção a cultivos de cocaína no departamento de Arauca.  Em 2007 os comandantes guerrilheiros (Rodrigo Granda, Jesús Santrich, Iván Márquez entre outros), embora sendo caçados por toda parte, podiam ser vistos circulando tranquilamente pelo principal complexo militar venezuelano, o Forte Tiuna. É de lá a famosa foto de Iván Márquez pilotando uma motocicleta Harley Davidson, dias antes de enviar uma mensagem por correio eletrônico a seu chefe maior, o Tirofijo, enformando que se reunira com os generais Cliver Alcalá e Hugo Carvajal para assegurar o recebimento de um lote de foguetes antitanque de alta potência.

Em pronunciamento televisado inclusive pela rede CNN em espanhol, o presidente Maduro agradeceu diretamente ao reino da Holanda pelo reconhecimento antecipado da condição de diplomata de Carvajal de modo a permitir sua pronta libertação. Aruba é um protetorado holandês governado por um primeiro-ministro eleito que está ligado também ao rei Ferdinand Alexandre em Haia. Já o ministro de relações exteriores, Elías Jaua, declarou que “o único crime cometido pelo general foi o de defender a Hugo Chávez com a própria vida e ao povo de seu país.” Não foi dessa vez que Carvajal foi apanhado. Contudo, terá de pensar duas vezes antes de decidir-se a de fato aceitar a nomeação para a pequenina e insegura Aruba, de cujas praias em algumas braçadas é possível chegar a Curazao e à costa venezuelana.

 

 

 

 

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