A difícil reeleição de Santos na Colômbia

Duas propostas – a Paz ou a Guerra – digladiaram-se duramente na campanha do 2º turno das eleições colombianas que domingo deram, felizmente, a vitória à primeira delas com a reeleição de Juan Manuel Santos com 50,9% dos votos contra 45,3% de Óscar Ivan Zuluaga, fortemente apoiado pelo ex-presidente Álvaro Uribe que imaginava prosseguir e aprofundar um conflito que já dura meio século no vizinho país andino.  Na primeira volta o uribista triunfara com uma impressionante vantagem de 500 mil votos. Desta feita, perdeu por 900 mil (6,9 milhões x 7,8 milhões de votos). Dentre as razões para a reviravolta está o apoio das esquerdas, o que contribuiu para a drástica queda no elevado índice de abstenção que caracterizou o 1º turno, para a quase unanimidade do eleitorado da região da Costa Atlântica e para a mudança no humor dos votantes da capital, Bogotá, onde Santos inicialmente perdera.

A aliança positiva que permitiu a vitória final reuniu a Unidad Nacional (La U), o velho Partido Liberal e o mais recente Cambio Radical, o apoio dos sindicatos de trabalhadores e de professores que se somaram aos conversadores com o voto anti-Uribe. O discurso esteve centrado na reconciliação da sociedade colombiana e na promessa da paz com os guerrilheiros das Farc e do ELN, estes últimos recém incorporados às negociações que se desenvolvem em Havana. À última hora, no debate televisionado às vésperas da eleição, algo saiu do controle nas hostes de Zuluaga fazendo-o perder muito da vantagem duramente conquistada até então. Ele atacou a administração atual com uma violência desmedida, desrespeitando pessoalmente seu adversário que – consideraram muitos eleitores – afinal está no exercício da presidência do país. Pode ter sido um descontrole individual de Zuluaga, mas o mais provável é que tenha sido induzido a um ataque desrespeitoso proposital por um erro de avaliação do seu marqueteiro, o brasileiro Duda Mendonça, o mesmo que ajudou a eleger Lula em 2002 e que depois se viu enredado no escândalo do Mensalão inclusive pela conta que mantinha no paraíso fiscal das Bahamas. 

A Colômbia respira, principalmente porque a derrota de Santos significaria o retorno radical ao enfrentamento militar entre as Forças Armadas (que em geral apoiaram Zuluaga) e os movimentos guerrilheiros, num momento em que ainda não existe um vencedor definido no conflito que já causou pelo menos 230 mil mortes e múltiplos danos a 6 milhões de pessoas. Contudo, o país segue dividido. Há uma metade que não confia nos resultados da estratégia comandada por La U de Santos, acreditando que, ao contrário, servirá para dar à guerrilha o tempo de que necessita para refazer suas forças e rearmar-se. Só o futuro dirá quem está correto e para que lado se inclinará o pêndulo, se para a guerra ou para a paz.      

Be the first to comment

Deixe seu Comentário

Seu e-mail não será publicado.


*